quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BOM 2010


Estamos quase em 2010, no início da segunda década do século XXI, e como o tempo continua a não parar aí vamos nós em rota de colisão com o futuro. Hollywood, e não só, continua a pensar que não tarda nada e estaremos de novo a bater noutra barreira de Planck e anunciou o fim do mundo, embora dando uma margem de quase dois anos para a comercialização do filme que está aí nas pantalhas das pipocas.
Seja o que for.
Entremos em 2010 com força e alegria. Com votos de que 2010 seja um ano com muitas e boas escavações. O passado continua, no fundo, a ser muito mais previsível que o futuro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

GERMANO SILVA


Dentro do programa de actividades para 2010 - ano que se espera ser o de afirmação do nosso grupo -, o GAP espera poder trazer à FLUP o meu velho amigo Germano Silva. Grande divulgador da história do Porto nas páginas do "Jornal de Notícias" - onde trabalhou até se reformar - e nos magníficos livros que edita, Germano Silva é uma daquelas pessoas que contam estórias quando fala de história e que não a torna em algo de enfadonho. Hoje, por exemplo, na pág. 58 do JN, fala-nos da grande cheia do Douro de 1909, na qual morreram oito pessoas e se perderam 700 embarcações! A cheia começou a 17 de Dezembro de 1909 e o caudal do rio foi aumentando com o passar dos dias perante um cenário de chuva diluviana. A barra foi encerrada no dia 20, quando as águas começaram a subir. Na véspera do Natal as condições agravaram-se e o tabuleiro inferior da Ponte Luís I esteve para ser dinamitada, para se salvar a ponte. Conta-nos ainda o Germano que em 1526 ocorreu uma das maiores cheias do Douro e que em 1727 a coisa também esteve feia. A cheia de maiores proporções e a que causou mais estragos foi, porém, a de 1739.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009



O belo busto de Nefertiti ainda hoje acende quentes discussões. Exposto no Museu Egípcio de Berlim é ainda, com mais de três mil anos, o centro das atenções, atraindo meio milhão de curiosos por ano. no entanto, o busto de Nefertiti tem sido nos últimos anos reclamada de volta para o país de origem. Incessantemente o povo egípcio luta para reaver o que seria seu por direito. assim, argumentam que foram enganados pela Alemanha aquando a sua descoberta, em 1923, em Amarna.
O egiptólogo e director do Museu Egípcio do Cairo, Zahi Hawass, graças a uma notícia, publicada numa  revista alemã Der Spiegel - escrito pelo secretário do Instituto Oriental Alemão , que dá conta de um documento de 1924 no qual se confessava ter havido fraude na partilha dos achados em Amarna. Financiadas pelo filantropo de Berlim chamado James Simon, a escavações eram lideradas por Ludwig Borchardt, membro da prestigiada escola de arqueologia alemã. O acordo com as autoridades egípcias previa uma divisão a meias das preciosidades encontradas. No entanto os alemães, que desde o início se sentiram seduzidos pelo busto de Nefertiti (que significa: "uma bela mulher chegou"), fizeram tudo para desvalorizar o achado, afirmando ser feito de gesso e não de calcário, mostrando uma fotografia de péssima qualidade, podendo nem sequer ter chegado a passar pelas mãos do inpector de antiguidades egípcias, o francês Gustave Lefèbvre.
Quando os egípcios pediram uma cópia do documento para provar a "batota" a Alemanha evitou o pedido desculpando-se por ainda não ter conquistado total independência sendo disputado pelas i nfluencias contraditórias da Turquia otomana, Grã-Bretanha e da França.
No entanto, ainda hoje existe a luta entra Egipto e Alemanha por conquistar o direito de ficar com o busto de Nefertiti.

Dando uma opinião pessoal, quando visitei o Museu do Cairo confesso que fiquei desiludida, não por não ser recheado por tesouros incríveis do que foi uma das mais belas e maravilhosas civilizações da humanidade, mas sim por esses mesmo tesouros estarem sujeitos a más condições de conservação. As peças estão praticamente "amontoadas" e demasiado expostas, ou seja, não estão suficientemente protegidas: havia peças (obviamente de grande porte) nas quais qualquer pessoa pode tocar (e em alguns casos vi palavras gravadas e riscadas por prováveis visitantes). Por outro lado o museu é muitas vezes denominado por "armazém" exactamente por ser bastante confuso, demasiado estreito com um aspecto desorganizado.
Este ponto, não é certamente um factor a favor na causa do busto de Nefertiti. Naturalmente faz todo o sentido que o busto regresse ao país de origem... no entanto será bom que ele fique sujeito a estas condições?
Na minha viagem ao Egipto, falaram-me acerca de um projecto de um novo museu que iria substituir o célebre Museu Egípcio do Cairo. No entanto questiono a veracidade da informação pois a fonte pode não ser fiável.
Assim, perante esta incerteza será mais seguro ignorar aqui esta informação, assumindo que o destino do busto será unicamente o museu do Cairo.Será, então, "seguro" o busto da bela Nefertiti regressar ao país de origem podendo estar sujeito a condições menos próprias ou manter-se no Museu Egípcio de Berlim, na capital da Alemanha, onde as condições são certamente mais apropriadas à boa conservação da peça?

Fica aqui aberto o espaço para debate/opiniões/sugestões natalícias :)

                                  Feliz Natal para todos os Arqueólogos, interessados no assunto e demais pessoas xD

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS


Em jeito de conto de Natal...

José e Maria recolheram ao leito depois da consoada. O menino Jesus dormia num colchão de palhinhas da Hello Kitty.

José tinha recebido de Maria um Simca 1100, um carro suficientemente antigo para ser de alguma forma um dado convincente nesta história.

Maria tinha recebido de José uma assinatura anual para o Holmes Place.

Depois de um prolongado silêncio, Jesus disse a Maria:

- Estás a imaginar o que os arqueólogos vão pensar de nós daqui a dois mil anos?

Maria ripostou:

- Calibrados ou não?

- Não sei. Sou um simples carpinteiro, não percebo nada de antracologia.

- A propósito - continuou Maria -, apagaste a lareira.

- Não - disse José -, ainda não inventaram a electricidade.

E foi por aí que Maria sentiu o espírito santo debaixo dos lençóis.

- José - sussurou -, estou a ser tocada.

José virou-se para o outro lado e desabafou:

- Já não há respeito. Nem hoje o Omnipotente nos deixa em paz.

Maria tocou-lhe no ombro e disse:

- Deixa lá. Já sabes que ele sofre de EP. Foi assim que criou o Mundo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

OS PINTORES DAS CAVERNAS

Também no campo da edição a Espanha continua a dar-nos cartas. Eis mais um interessante livro sobre arte rupestre, de que aqui deixo parte de um capítulo:

X
MUJERES EXTRAÑAS, ESTILIZADAS.EL MUNDO POR DEBAJO DEL MUNDO

Desde la primera obra del abate Breuil hasta las respuestas de Jean Clottes a los críticos de Los chamanes de la Prehistoria han transcurrido casi exactamente cien años. Salvo por el chamanismo, que no tiene una aceptación general, no hay aún ninguna teoría global sobre el significado de las pinturas rupestres. Esto es frustrante para científicos y aficionados por igual, puesto que, como obras de arte, las pinturas logran comunicar directamente y con suma eficacia. Fueran cuales fuesen las razones culturales que movieron a los antiguos cazadores a pintar en las cuevas, los grandes artistas que había entre ellos -que fueron muchos- se tomaron la molestia de crear pinturas de líneas elegantes, colorido sutil, perspectiva precisa y una sensación física de volumen. Puede que los pintores de las cavernas concibieran el arte como nosotros lo entendemos o puede que no, pero cuando decidieron dibujar unos trazos atractivos a la vista en lugar de unos garabatos torpes, pensaban y actuaban como artistas, intentando crear arte en el sentido que nosotros le damos al término. Por eso, para nosotros es legítimo responder a las pinturas rupestres en tanto que arte, y no solamente en tanto que restos arqueológicos, aunque sin duda también lo son. Los caballos chinos de Lascaux, multicolores y estilizados, el orgullo de los leones a la caza con los ojos encendidos en Chauvet, y los bisontes pesados, si bien delicados y sinuosos, de Altamira y Font-de-Gaume, son evidencias de que la belleza es de veras eterna.
Y esa belleza aumenta porque, contra toda lógica, las pinturas parecen también familiares, próximas a nosotros en el tiempo, a pesar de ser lomás remotas que posiblemente alcancemos a encontrar. ¿Cómo es posible que pudiesen permanecer encerradas en cuevas, desconocidas o mal interpretadas, durante miles de años y en cambio, una vez descubiertas, encajasen con tanta naturalidad en la tradición cultural occidental? El historiador del arteMax Raphael es el único pensador relevante a quien parece preocuparle esta cuestión, aunque la inmediatez de las pinturas, a pesar de su gran antigüedad y misterio, afecta poderosamente a todo el que las ve. Raphael ofrecía su propia respuesta marxista a este acertijo, como hemos visto. Sin embargo, existe otra respuesta, que arroja más luz sobre las pinturas tanto en su vertiente artística como arqueológica. Las pinturas nos hablan directamente a través de los milenios porque son el arte conservador de una sociedad estable, porque transmiten una visión cómica, más que trágica, de la vida, y porque forman parte de una tradición clásica. De hecho, son el triunfo de la primera civilización clásica del mundo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MURALHA FERNANDINA

Uma árvore que cresce na cerca fernandina do Porto, ali no caminho para S. João Novo desde o parque de estacionamento da Alfândega. Hoje, pela manhã.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

TGV E MENIRES

Cromeleque dos Almendres (Foto Pedro Correia)
Sem dar cavaco a ninguém, nem ao próprio, o Governo avança apressado para o TGV que vai atravessar o coração do Alto Alentejo. Em nome do emprego, da ligação a uma Europa que ficará sempre distante. Resta saber quantos monumentos megalíticos - património nosso e do resto da humanidade - o progresso vai limpar do mapa. Porque será que ainda ninguém falou no assunto?

ASTROLOGIA E CIÊNCIA


Hoje, quinta-feira, às 21h30, a astróloga Maria Flávia de Monsaraz (fundadora do Quíron, Centro Português de Astrologia), o tarólogo Luís Resina e a escritora Estela Guedes, vão reunir-se na Reitoria da U.Porto para debater a relação entre a Ciência e o Esoterismo em mais uma sessão dos "Diálogos com a Ciência".

Esta é a quarta sessão deste ciclo de conferências comissariado por Vicente Ferreira da Silva. São ao todo 11 sessões em que a Ciência irá procurar pontes de diálogo com outras áreas do saber a religião, mas também a ciência militar, a poesia, o humanismo, o esoterismo, a cidadania, a arte, a ética e a política.


Parece um bom programa!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

QUINTA DE SANTIAGO



INCRIÇÕES ABERTAS PARA A VISITA.
MANDAR EMAIL.

Quinta feira dia 17 de Dezembro pelas 21:30.



Inaugurado em 1996, o Museu da Quinta de Santiago encontra-se instalado num edifício histórico, de finais do século XIX, mandado construir por João Santiago de Carvalho para sua residência.
Adquirido pela Câmara de Matosinhos em 1968 e, posteriormente, restaurado sob a direcção do arquitecto Fernando Távora, o imóvel é testemunha privilegiada das profundas transformações urbanísticas e sociais que a cidade conheceu nos últimos cem anos.
Além do interesse arquitectónico do edifício, o Museu alberga três tipos de colecções: mobiliário, concordante com a época da sua construção, pintura e escultura.
A colecção de pintura tem por base três artistas relacionados de modo estreito com Matosinhos: António Carneiro (1872-1930), notável retratista e autor de dezenas de marinhas de Leça, de feição simbolista; Agostinho Salgado (1905-1967), natural de Leça, produziu inúmeras paisagens leceiras, de cariz naturalista; Augusto Gomes (1910-1976), pintor ligado ao neo-realismo, enalteceu os usos e costumes dos pescadores de Matosinhos nas suas telas.
As esculturas, expostas no interior da casa, nos jardins e em reservas visitáveis, são da autoria dos mestres Barata Feyo (1902-1990), Álvaro Siza, Gustavo Bastos, Ruy Anahory, Lagoa Henriques e Irene Vilar.
Este museu integra a Rede Portuguesa de Museus.


in: http://www.cm-matosinhos.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=11820

NOTA IMPORTANTE: Por razões operacionais a que o GAP é alheio, não será possível realizar hoje este programa mas estão todos convidados a aparecer hoje à noite no museu da Quinta de Santiago para um espectáculo teatral, com início às 21.30 horas

domingo, 13 de dezembro de 2009

"As Primeiras 27 Maravilhas do Museu Geológico de Portugal" -> Exposição




A Exposição “As 27 primeiras maravilhas do Museu Geológico de Portugal ” estará patente ao público, de 27 de Outubro a 30 de Abril de 2010, no Museu Geológico de Portugal , na Rua Academia das Ciências 19 – 2º, em Lisboa. 
Esta exposição reflecte a escolha de algumas peças notáveis das Colecções de paleontologia, de Arqueologia pré-histórica e de Mineralogia.
Ao longo da exposição, os visitantes poderão encontrar testemunhos excepcionais da história do nosso território e dos animais e plantas que aqui viveram ao longo de milhões de anos, bem como da presença dos nossos antepassados.
O Meteorito do Monte das Fortes (caído em Portugal em 1950); a Bacia de um Omosaurus lennieri (dinossauro herbívoro encontrado na zona de Lourinhã-Peniche-Caldas da Rainha); o crânio de um super-crocodilo que viveu há cerca de 12 milhões de anos na actual zona de Chelas; uma árvore com cerca de 5 milhões de anos; as primeiras flores de Portugal ; uma flor com cerca de 470 milhões de anos; um cão de há cerca de 6.000 anos e objectos de há 5.000 anos a.C, são algumas das 27 maravilhas que fazem parte desta exposição.
Quando já tanto se falou das maravilhas do Mundo e de Portugal , julgamos oportuno trazer a público outro tipo de “maravilhas” cuja dificuldade esteve em escolher 27 por entre tantas maravilhas”.
 “As 27 primeiras maravilhas do Museu Geológico de Portugal ” resultado do trabalho de sucessivas gerações de investigadores e técnicos, que começou há mais de 150 anos, junta algumas das peças mais preciosas, únicas no País verdadeiro Património Nacional e testemunho da nossa história.

LNEG

sábado, 12 de dezembro de 2009

COPPENS VERSÃO AMBIENTALISTA


Yves Coppens [que está em Lisbnoa] é paleontólogo e defende que por muito que o Homem altere o clima, a Terra não parará de girar, mas a espécie humana, cuja evolução continua «subjugada» por biologia e ambiente, deve «inquietar-se» com o que faz ao planeta.
Em entrevista à agência Lusa, o francês afirmou que «as mudanças climáticas fazem parte da história e as mudanças actuais não obstruem o planeta, mas podem obstruir a humanidade, não no corpo, mas nos hábitos». «Se os mares subirem, as orlas costeiras estarão condenadas. Muitas populações vivem à beira do mar e será preciso que migrem, e os movimentos de população importantes causam sempre conflitos», frisou. Referindo-se à maneira como a contínua «exploração empresarial» da Terra é hostil à diversidade das espécies, Yves Coppens defende que «devemos inquietar-nos com as actividades humanas que se verificam em detrimento do próprio Homem». «Submetido» às leis da biologia e às mudanças no seu ambiente, quer físico quer cultural, o Homem «nunca deixou de evoluir», muitas vezes «de forma discreta», e o ritmo deverá continuar no futuro. «O cérebro pode continuar a tornar-se mais complexo, mais bem irrigado, mais denso e também tornar-se mais volumoso», estima o palentólogo, afirmando que isso poderá causar problemas para as mulheres na altura do parto, mas que a própria evolução se encarregará de os resolver. «As mulheres poderão não ter gravidezes tão longas. Em vez de nove meses, poderão ser seis ou oito meses - quem sabe? - e a criança será vulnerável e precisará de assistência durante mais tempo», afirmou. O tempo que as crianças passam à volta de «teclados e écrãs» poderá também ser um factor condicionante da evolução do cérebro, desenvolvendo a «prática táctil», o passo seguinte no percurso que começou com o polegar oponível à mão, permitindo aos antepassados do Homem o acto de agarrar. «O que gostaria de compreender é a maneira como os seres se transformam, as modalidades da evolução. Os fósseiss deram-nos muitos pontos de referência, ao longo da história humana, mas o que não compreendemos, porque é muito mais complexo, é a própria evolução», disse.
Para Yves Coppens, as respostas encontram-se no mundo «infinitamente pequeno dos genes, das moléculas, das células».

in TVI online

Bracara Augusta


Peça romana exposta no Museu Arqueológico de Braga.


Lindíssimo...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

HYPATHIA


José Saramago considerou este filme de Alejandro Amenábar, realizador de "Mar Adentro", uma obra-prima. O filme, diz o chileno que o realiza, é também "uma lição de astronomia". Acrescente-se mais outra lição: de história. Porque Hypathia, interpretada por Rachel Weisz, foi uma das grandes mulheres da História. Para a conhecermos melhor temos de recuar à Alexandria do século V d.C. . A sua sorte foi traçada pelo patriarca Cirilo, num momento em que o cristianismo ligou o rolo compressor e levou tudo a eito. O filme foi rodado, tal como "Tróia" e "Gladiador", na ilha de Malta. A equipa que produziu o filme inspirou-se bastante no sítio egípcio de El Fayum, fonte documental para a reprodução das caras e rostos dos personagens e figurantes. Amenábar chegou a ponderar usar imagens filmadas em El Fayum onde se via a famosa cruz suástica mas acabou por não as introduzir no filme "para evitar confusões". Palavras do realizador sobre a reconstituição histórica: "Sabíamos que em Alexandria havia latrinas e isso foi algo que me chamou a atenção pois nunca se mostra neste tipo de filmes como esta gente mijava e cagava e por isso vamos mostrar as retretes". Quem foi Hypathia? Personagem polifacetada - filósofa, matemática e astrónoma... -, tinha excelentes relações com o imperador Orestes e com a elite pagã. Cirilo temia que a sua "magia" influenciasse demasiado Orestes e mandou assassiná-la usando um ritual que os romanos aplicaram aos primeiros cristãos: Hypathia foi lapidada com pedaços de cerâmica, depois de ter sido desnudada. O filme teve um orçamento de 50 milhões de euros e teve em Elsa Garrido a sua assessora histórica..
A crítica de Joel Neto no facebook:

"Acabei de ver 'Ágora' – e, apesar dos habituais tiques de câmara de Amenábar, gostei. Pretendendo ser sobretudo um panfleto anti-cristão, denunciando o Cristianismo em tudo o que ele representou de entropia ao desenvolvimento da ciência e do conhecimento, é também, e talvez um tanto paradoxalmente, uma... interessante demonstração, mesmo que involuntária, da importância que esse mesmo Cristianismo teve para o nascimento dos conceitos de igualdade e 'demo-cracia' (ainda que ali na sua forma mais primitiva e animal). O facto é: conhecimento e democracia raras vezes andaram de mãos dadas ao longo da História – e o mais provável é que seja esse o contra-senso fundamental desta espécie."

Lisboa debaixo de terra As Galerias Romanas da Rua da Prata Canal Historia JPL TVRIP




Uma visita de estudo aqui, que acham?

Lisboa debaixo de terra O Nucleo Arqueologico da Rua dos Correeiros Canal Historia JPL TVRIP

Será? eheheh


Change Player Size Watch this video in a new window O Êxodo decifrado - Prova arqueológica do Êxodo

La arqueología submarina del siglo XXI: virtual y en 3D

Cientistas encontram evidências de canibalismo em massa

"Pesquisadores dizem que restos de 500 pessoas encontrados na Alemanha foram 'mastigados' e 'intencionalmente mutilados.'



Arqueólogos encontraram evidências de canibalismo em massa em um cemitério humano que data de sete mil anos atrás, no sudoeste da Alemanha, segundo a revista especializada "Antiquity". Os autores da pesquisa dizem que suas descobertas trazem indicações raras da prática de canibalismo na Europa no início do período Neolítico.
Cerca de 500 restos mortais que foram encontrados perto da vila de Herxheim podem pertencer a vítimas de canibalismo.
Os restos, que teriam sido "mutilados intencionalmente", incluem crianças e até fetos, segundo os pesquisadores.
O local foi escavado pela primeira vez em 1996, e explorado novamente entre 2005 e 2008.
O coordenador da pesquisa, Bruno Boulestin, da Universidade de Bourdeaux, na França, disse que ele e seus colegas encontraram evidências de que ossos humanos foram cortados e quebrados de propósito, uma indicação de canibalismo.
"Nós observamos padrões nos ossos de animais indicando que eles foram assados em um espeto", disse. "Nós vimos padrões iguais em ossos humanos (no local)."
Boulestin reforçou que é difícil provar que esses ossos foram deliberadamente cozidos. Alguns cientistas rejeitam a teoria do canibalismo, dizendo que a remoção da carne poderia ser parte de rituais de enterro.
Mas Boulestin disse que os restos humanos encontrados na Alemanha foram "intencionalmente mutilados" e que há evidências de que muitos deles foram mastigados.
O início do período Neolítico foi quando a agricultura começou a se espalhar pela Europa central e a equipa acredita que o canibalismo no continente era uma ocorrência rara, provavelmente apenas durante períodos de fome extrema."


Raquel Godinho
rgodinho@negocios.pt

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

VENDE-SE


O Forte de São Clemente, mais conhecido como Castelo de Milfontes, no concelho de Odemira, um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, que 'protege' há mais de 400 anos a foz do Rio Mira, está à venda.
(Lusa)

DIZEM QUE É NATAL...


Nasce um Deus. Outros morrem. A Verdade

Nem veio nem se foi: o Erro mudou.

Temos agora uma outra Eternidade,

E era sempre melhor o que passou.



Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.

Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.

Um novo deus é só uma palavra.

Não procures nem creias: tudo é oculto.

Fernando Pessoa
(na montra de um alfarrabista do Porto, hoje)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VISÃO DE FUTURO

Portugal é um país de cultura antiga e de imensos atractivos num mundo globalizado, onde o inglês se impõs como a língua de comunicação. A maior parte do conhecimento produz-se e transmite-se hoje em inglês. Até para promover a "cultura portuguesa" é preciso fazê-lo por múltiplas vias, em inglês. Ora, como podem as nossas universidades competir na Europa e no mundo se não fornecerem cursos em inglês, a preços competitivos? Como podem organismos de ensino superior ter páginas web sem versão em inglês, com clara informação sobre os cursos e as suas formas de acesso? Mas as nossas universidades por si nada podem sem a atracção das cidades, porque não se imagina universidades no meio do campo: universidades, cidades, aeroportos são coisas ligadas entre si, e sobretudo são vitais as conexões entre transportes de alta velocidade (as estradas não) e grandes eventos internacionais culturais, que são poderosos atractores. A "cultura" está a mudar, e não necessariamente sempre para pi! or. Abandonemos a pia lamentação de que tudo se transformou em coisa superficial. Os meios de comunicação e novas cosmovisões são um e o mesmo fenómeno. E é preciso não acompanhá-lo, mas adiantarmo-nos a ele. Como? As nossas cidades ou são centros cosmopolitas, com cultura, arte, ciência, congressos de organismos de ponta, ou são província, ficam fora do mapa. Já era tempo de sermos cada vez mais orgulhosos de Portugal. Promovendo-o em inglês. Acabaram-se os Viriatos da nossa escola primária antiga. O que importa é que venha gente para aqui de todo o mundo criar coisas e que parta gente daqui para em todo o mundo criar coisas. O resto são saudosos de Júlio Dinis. Quem goste dessa paz dos campos leia o autor e/ouça a sinfonia pastoral do Beethoven, magníficas obras, pronto. Mas não fiquemos a ouvir os passarinhos, ou os tecnocratas de vistas a curto prazo. Basta!
Vítor Oliveira JorgeDCTP-UP (no e-mail dinâmico da FLUP)

Está aberto o debate na nossa caixa de comentários

IMACULADO DIA

Hoje, 8 de Dezembro, o país mais uma vez está parado (ou quase) a propósito agora de um feriado religioso - este, o da Imaculada Conceição, consagrada pelo dogma que declara Maria como virgem senhora de toda a pureza, imaculada (não ler inoculada) mesmo durante o momento da concepção de Jesus Cristo, como todos sabem precursor do falhado movimento hippie dos anos 60 de que vemos apenas resquícios nas vestimentas de alguns colegas e naquelas espécies de toalhas de mesa que alguns arqueólogos enrolam no pescoço. Há sensivelmente uma semana também foi feriado mas parece que ninguém percebeu que se celebrava a restauração de Portugal em 1640, pelo menos não vi de tal notícia nos jornais e nas televisões. No espaço de uma semana, a Monarquia portuguesa, ou o que resta dela, celebrou dois feriados - pois a Imaculada Conceição é também padroeira do reino de Portugal. Tudo bem. Que se goze o dia com um sorrido pérfido. Este também é um daqueles poucos momentos em que um ateu pode fruir da tua fé. Quanto aos monárquicos, parecem condenados à nostalgia e ao desespero, comuns, no fundo, a toda a tribo que se acolita sob o tótem do socialismo moderno.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Simples curiosidade

Falando em Datas, algo bastante importante em História, gostaria de relembrar alguns eventos interessantes e familiares desde dia 7 de Dezembro. Uma mensagem mais descontraida.

 - 43 a. C - assassinato de Marcus Tullius Cicero um ano após a morte de Caesar;
 - 1815 - O Marechal Ney é executado por fuzilamento á ordem da Câmara dos Pares por traição ao apoiar o ex- Imperador Napoleão Bonaparte. O Julgamento foi feito após o segundo exilio do Imperador;
 - 1917 - Os Estados Unidos da América declaram Guerra ao Império Austro-Húngaro;
 - 1972 - A ultima missão à lua, Apolo 13 é lançada;



















(Imagens:  1 - Marcus Tullius Cicero, Heritage History.com; 2 - Marechal Ney, Francois Gerard 1770 - 1837; 3 - Artilharia Austro-Húngara, Patriotfiles.com; 4 - Insignia Apolo XIII, wikipédia.com;)

CONTEXTOS E AMBIENTES DO I.ºMILÉNIO a.C.

Com este tema e o subtítulo "uma abordagem interdisciplinar", decorreu hoje, no museu D. Diogo de Sousa, em Braga, das 10 às 15 horas, com uma pausa para café, um interessante seminário com as caras do costume e a participação de muitos estudantes da Universidade do Minho e alguns da FLUP. A coordenação dos trabalhos coube a Ana Beteencourt e a Maria Isabel Caetano Alves. A primeira comunicação, pela prof. doutora Josefa Rey Castiñera, do departamento de História da Universidade de Santigo Compostela, proporcionou-nos uma viagem pelos fantásticos castros marítimos da Finisterra, estruturas únicas, onde o mar se afirma como horizonte e como grande barreira defensiva (cá estão dois ingredientes fenomenologicamente inconciliáveis...). João Nuno Marques, Alexandre Valinho e Sílvia Loureiro falaram a seguir dos povoados da proto-história da Beira Alta, com enfoque nos casos de Vila Cova à Coelheira e Muro. Nádia Figueira e Carla Santos, da Arqueohoje, trouxeram à liça um ex-voto de Vissaium (Viseu) e projectaram o provável povoado castrejo que existia no morro da Sé da cidade portuguesa com mais rotundas e a maior pista de gelo peninsular. João Machado foi o freguês que se seguiu com um percurso pelos balneários castrejos sem novidades especiais. António Dinis, da Universidade do Minho, falou da arte rupestre da Idade do Ferro do Noroeste peninsular com sobriedade. Depois do break para o coffee, e uns bolinhos frescos, entraram em cena os...cientistas. Maria Martins Seijo, da Universidade de Santiago, traduziu em números a paisagem de bosque e os combustíveis de madeira da Idade do Ferro, e a prof. doutora Helena Granja, da UM, fez uma breve história da geologia recente da zona costeira de Esposende, não deixando de mostrar a sua tristeza pelo facto de "a tutela" não ter permitido que se estudassem estruturas e materiais que surgiram na maré baixa e que depois nunca mais ninguém viu. Por fim, Luis Gómez-Orellana, do Laboratório de Botânica e Bioxeografia da Universidade de Compostela, explicou as alternativas para oe studo paleo-ecológico do clima e e da paisagem, suscitando toda a atenção da pequena delegação de agronomia do Instituto Politécnico de Bragança, entre a qual se contava o meu velho amigo Carlos Aguiar, um botânico de eleição que só reconheci porque fui reconhecido por ele... O debate que se seguiu não foi muito longo porque a tarde já não era uma criança. Enfim, uma boa jornada que, confesso, não absorvi por inteiro pois esta história dos power-points e das noites mal dormidas causa uma certa sonolência...

A propósito de Guerra (Lembrete)

Dia 7 de Dezembro...

1941, já a Europa estava em guerra (desde 1939), já os ingleses estavam envolvidos (desde 1940) eis que finalmente entram os Americanos em Guerra. É verdade, faz hoje 68 anos que os Japoneses, levados pelo desespero atacaram a famosa base naval no Hawai.  Acção que fez os Americanos juntarem-se ao conflito, tornando-o realmente mundial. Relembrando brevemente, numa manha de Domingo, por volta das 08h da manhã, a primeira vaga de aviões Japoneses lança as primeiras bombas. Pouco depois de se avistar o mini-submarino Japonês (já dentro do Porto) o ataque começa com vantagem para os Nipónicos. Enquanto os Americanos se apressam para chegar aos seus postos já vários couraçados tinham sido danificados e alguns perdidos (como o Arizona). A segunda vaga chega já com os americanos completamente desperto e ja prontos para a acção. A Marinha Imperial do Japão perde cerca de 27 aeronaves, 5 mini-submarinos (um capturado), 55 aviadores, nove tripulantes de submarinos e  um tripulante capturado. As baixas americanas não ficaram nem perto destes numeros. Morreram tantos como no World Trade Center. A Frota do Pacifico ficou em estado deplorável. A America só se conseguiu impor no pacifico pois os seus porta aviões evitaram o ataque (tinham-se ausentado do porto pouco antes do ataque). Bom, o rescaldo resultou na declaração de Guerra por parte da Alemanha aos Estados Unidos da America e aos seus Aliados. Embora pouco tenha a ver com Portugal, achei que era um evento que valia a pena relembrar (pois marcou o inicio de um conflito sem precedentes).

(imagem: explosão do USS Shaw;)

domingo, 6 de dezembro de 2009

A contemporaniedade da Guerra
























Muitos de nós já vimos filmes que por alguma razão envolviam cenários Bélicos. Alguns, muito conhecidos entre nós, sobre guerras napoleónicos, outros, tambem muito comuns, sobre a guerra da Ultramar. Dois cenários muito ligados a Portugal. Porém, diferenças surgem entre os dois tipos de conflito.                                
     Escolhi os estes dois exemplos para comparação porque são os que mais nos tocam, porem para evidenciar a passagem de um tipo de guerra ao outro, irei falar sobre um acontecimento belico que poucos Portugueses prestam atenção. Lá chegaremos. Primeiro, a que me refiro quando falo de diferença entre os dois tipos de combate armado? Bom, ao olharmos para um exército tipico Napoleónico, este ressalta pela sua extrema organização, formação em quadro ou colunas, com disposição de efectivos bem regrada. O confronto dava-se quando dois exércitos inimigos se defrontavam, em campo aberto, formados em colunas, que chocavam umas com as outras.
 


 Em muitos casos a vitória era conseguida pela destreza dos atiradores de cada coluna e a sua rapidez em "contra-manobrar" o inimigo. Jocosamente dir-se-ia que ganhava o exercito que tivesse mais homens. Além disso, o ataque tinha uma determinada sequencia, primeiro entrava a infantaria, após um fustigar de artilharia. No final, quando a vitória era já avistada, a cavalaria era enviada para esmagar o que restava do exército inimigo.Isto seria uma imagem básica de actuaçao de um exército Napoleónico. Porém, ao observármos a evolução do combate desde a primeira grande guerra notamos uma certa diferença. Claro que a organização do exército possui ainda a sua base. Dentro do exército a Infantaria, Cavalaria, Artilharia e a Marinha e novas adições como Infantaria Móvel, Veiculos de uso Especial e uma das mais importantes inovações, a Força aérea. Mas a movimentação de tropas veio a modificar-se muito. Já não se trata de confrontos só em espaço aberto, mas estes podem ocorrer em qualquer tipo de locais. Especialmente em ambientes urbanos durante a segunda grande Guerra). Mas para isto ocorrer, teve de se implementar novas táticas. Falo do combate tipo guerrilha. Não se opta por confronto aberto. O objectivo é a camuflagem, dissimulação e ataque surpresa, tal como aconteceu na guerra Ultramarina. O Mato Africano mostrou-se ideal para este tipo de Guerra. Porém não seria no seculo XX que a "formato tático" de guerrilha se estrearia. A definitiva prova veio em formato de "Sublevação" (?). A semente para tal sublevação foi plantada em 1795, com a chegada inglesa à cidade do Cabo, corrida contra os revolucionarios franceses pelo dominio da passagem para a India. Desde esse ano que não mais a Inglaterra se ausentaria da Africa do Sul. Depois de algumas confusões entre Ingeses e Holandeses, em 1806 a Colónia do Cabo passa oficialmente a ser parte das "terras de sua majestade". Não tardou que o poderio Britânico fosse contestado. A verdade é que, não suportando mais a presença dos Casacos Vermelhos (Britanicos) grandes movimentações de Boers (Agricultores de descendencia variada, antepassados dos Afrikaans actuais do Orange Free State) levaram cerca de 12 000 individuos a rumarem para Norte, para uma zona designada por Transvaal ( do Afrik: Além do Rio Vaal) e zonas limitrofes. A Toponimia que se regista desde a cidade do Cabo até às fronteiras sul africanas a norte revelam as ascendecias Holandesas da população. Já nesta zona se tinham assentado os Boers (Afrik: Boore) quando se verificou uma riqueza mineralógica por toda a zona central de Africa. Foi então que se deu o confronto entre estes Agricultores "deslavados" e as tropas da Rainha por um dominio dos recursos locais. O conflito conheceu duas fases, a primeira de 1880-81 a segunda de 1899-02. O que nos interessa é a primeira fase. O que acontece é que a mobilização britânica se deu de maneira quase Napoleónica. Grandes contingentes movimentavam-se por planicies abertas e como se isso não chegasse, os seus uniformes Escarlates eram visiveis por Quilometros em volta. Uma grande massa vermelha no meio de uma planicie amarelada não é dificil de ver. Mais espertos foram os Boers. Como não eram um corpo bélico organizado, sem hierarquia (à exepção de alguns lideres) não possuiam uniformes. Na verdade, a sua roupa (Khaki) era adaptada aos trópicos. Com cores tipo terra e chapéus largos para proteção do sol, aliaram ao seu combate o conhecimento do terreno. Não eram raras as emboscadas que se davam a uma muito cutra distância. Isto testemunhava a grande vantagem da camuflagem. As tropas ingleses eram ignorantes no que dizia respeito aos ataques inimigos. Não se sabia onde se escondia o inimigo, nem quando aconteceria o ataque. Os oficiais Britanicos, com a sua formação rigorosa, ordenavam às tropas para firmemente se manterem em formação e de atirarem de forma regulada em linha de fogo, com fileira assente num joelho e fileira/as traseiras que disparavam alternadamente com a primeira, sempre à ordem do oficial de serviço (o famoso Volley Fire). Com isso não se interessavam os Boers, que atiravam oportunisticamente (peço desculpa se parecer um termo desapropriado) apontando a alvos indiscriminadamente e de locais ocultos. A isto aliou-se tambem a tecnologia.

Os contactos que a nação Boer tinha com a europa permitiu-lhe a obtenção das armas de fogo de boa qualidade. Durante o primeiro conflito muitas eram as armas de tiro único de carregamento por Culatra, tipo Martiny-Henry e poucas eram as armas de repetição. A pólvora sem fumo permitiu que, Agricultores e Caçadores experientes, com experiencia de exterior conseguissem "abafar a tiro" as colunas Britanicas. Parece que os ingleses aprenderam a lição e quando se instalou a segunda guerra Anglo-Boer estes vinham já preparados, com táticas mais apropriadas para o combate de guerrilhas. De facto, nunca mais seria empregue a formação Napoleónica e rígida no exercito Imperial Britanico.  Do ponto de vista das evoluções táticas contemporaneas, o conflito Anglo-Boer torna-se extremamente interessante por representa os primórdios da Guerra Contemporanea. Não só exterminou com as táticas Napoleónicas e Prussianas, como levou a que se adaptasse rápidamente todos os grandes exercitos para este novo tipo de conflito, que voltou a ressurgir em todos os grandes conflitos precedentes. A grande prova disso é a presença de uniformes camuflados em todos os grandes exercitos. A roupa colorida é reservada a cerimónias. Embora os combatentes Boers tenham sido derrotados, conseguiram marcar permanentemente a mentalidade bélica.

(Foto 1: Guerreiros Boers em Ladysmith, Circa 1899; Foto 2: Uniformes Britânicos do 24º Regimento em Isandlwana, Africa do Sul - ilustração de Tim Reese, CD dos Uniformes da Guerra Zulu;)

100+3

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Inspirados no célebre mural de Rafael "A Escola de Atenas", que reúne os grandes filósofos da antiguidade, Dudu, Li Tiezi e Zhang An, artistas chineses, pintaram 100 personagens da história mais três. A brincadeira tem sido sensação na Internet e, obviamente, rapidamente o povo cibernético identificou os personagens. Falta apenas saber onde está o Wally.

A chave para a leitura é esta:

1. DAI DUDU - painter 2. DANTE ALIGHIERI 3. SONG QINGLING 4. MOTHER TERESA 5. LI TIEZI - painter 6. MIKHAIL GORBACHEV 7. ZHANG AN - painter 8. KOFI ANNAN 9. LIU XIANG 10. PRINCE CHARLES 11. DOWAGER CIXI 12. OSAMA BIN LADEN 13. GEORGE W. BUSH 14. LUCIANO PAVAROTTI 15. SALVADOR DALI 16. CLAIRE LEE CHENNAULT 17. JULIUS CAESAR 18. YASSER ARAFAT 19. MARILYN MONROE 20. MARLON BRANDO 21. FIDEL CASTRO 22. LAOZI 23. CHE GUEVARA 24. JOHANN WOLFGANG VON GOETHE 25. ZHOU ENLAI 26. NAPOLEON BONAPARTE 27. MAO ZEDONG 28. MARIE CURIE 29. ABRAHAM LINCOLN 30. GENGHIS KHAN 31. PABLO PICASSO 32. STEVEN SPIELBERG 33. FRIEDRICH NIETZCHE 34. WOLFGANG AMADEUS MOZART 35. KARL MARX 36. WILLIAM SHAKESPEARE 37. LEONARDO DA VINCI 38. ROBERT OPPENHEIMER 39. HENRI MATISSE 40. JOSEPH STALIN 41. ELVIS PRESLEY 42. FRANKLIN ROOSEVELT 43. WINSTON CHURCHILL 44. BRUCE LEE 45. ALBERT NOBEL 46. MARGARET THATCHER 47. PETER THE GREAT 48. CHARLES DE GAULLE 49. BILL CLINTON 50. MAXIM GORKY 51. PAVEL KORCHAGIN 52. RAMSES II 53. VLADIMIR ILICI LENIN 54. GUAN YU 55. CUI JIAN 56. HOMER 57. BILL GATES 58. PELÉ59. ADOLF HITLER 60. SADDAM HUSSEIN 61. LUDWIG VAN BEETHOVEN 62. AUDREY HEPBURN 63. BENITO MUSSOLINI 64. NORMAN BETHUNE 65. LEI FENG 66. HENRY FORD 67. CHARLIE CHAPLIN 68. ERNEST HEMINGWAY 69. SUN YAT-SEN 70. DENG XIAOPING 71. SIGMUND FREUD 72. MIKE TYSON 73. JUAN ANTONIO SAMARANCH 74. CHIANG KAI-SHEK 75. ALEXANDER PUSHKIN 76. VLADIMIR PUTIN 77. LU XUN 78. HANS CHRISTIAN ANDERSEN 79. QUEEN ELISABETH II 80. SHIRLEY TEMPLE 81. LEO TOLSTOY 82. ALBERT EINSTEIN 83. LI BAI 84. MOSES 85. CONFUCIUS 86. CORNELIU BABA 87. MOHANDAS GANDHI 88. AUGUSTE RODIN 89. DWIGHT EISENHOWER 90. VINCENT VAN GOGH 91. HENRI DE TOULOUSE LAUTREC 92. MARCEL DUCHAMP 93. MICHAEL JORDAN 94. ARIEL SHARON 95. HIDEKI TOJO 96. MICHELANGELO 97. YI SUN-SIN 98. QI BAISHI 99. QIN SHI HUANG 100. RUN RUN SHAW 101. JEAN-JACQUES ROUSSEAU 102. RABINDRANATH TAGORE 103. OTTO VON BISMARCK

sábado, 5 de dezembro de 2009

Rectificação

Em resposta ao comentário da minha ultima mensagem, só posso pedir desculpa quando referi o apoio do Senhor Siza, pois o que apenas consegui ler nas noticias foi que apoiava a demolição do edificio. Quanto à sua presença de espirito em desaprovar a "salgalhada" que seria uma fachada dos anos 20 e uma "coisa" pós-moderna (coisa que nunca me foi dito infelizmente) é de louvar. Porém o ponto mantém-se. O Abate das construções e a sua substituição por um projecto que, toda a gente teme que saia como a Casa da Musica ou semelhante (tipo o edificio de escritórios que se construir ao lado da casa da Musica). Infelzmente é algo que se vê por todo o lado. O Que se seguirá? O velho "CLIP"? (ruinas diga-se).

Tipicamente Português

Antes de mais, peço desculpa a algum colega meu que não partilhe da mesma opinião. Devo também sublinhar que esta mensagem reflecte a minha opinião e não publico este artigo pelo Grupo de Arqueologia do Porto. Trata-se apenas de um desabafo de Arqueólogo!

Fui informado ha coisa de dias da triste decisão da autarquia de Matosinhos de demolir, para construir imóveis de habitação, centro de ciências e tecnologias e hotel, duas das mais emblemáticas fábricas de conserva de Matosinhos, e mesmo do Norte Português, a Algarve Exportador e a Rainha do Sado. Com uma fachada tipo "Português Suave", fachada simbólica do Império Português contemporâneo as fábricas reflectem as tendências dos anos 20 do século passado. É com terrível pesar que escrevo isto, pois para mim, são fábricas de uma estéticidade única. De facto revelam novas tendências arquitectónicas que galgavam a Europa durante a altura, por exemplo o uso extensivo e intensivo de janelas, que permite a escorrência de luz natural, de modo a tornar o horário laboral mais agradável. Vivemos numa época em que os edifícios, mesmo monumentalmente grandes, por vezes obscenamente grandes (peço desculpa pelo termo) seguem a tendência de "despersonalização" (uns puderão chamar-lhe simplistas). A verdade é que, em vez de se seguir uma trama harmoniosa, sem grandes cantos aguçados, sem paredes radicalmente fincadas e abundantes elementos que suavizam o edifício (como é o caso das Fábricas em Questão). Não, estes novos edifícios tentam quebrar ao máximos as tendências tradicionais e chocar o individuo com alçados e plantas pouco comuns (quanto mais chocante melhor). A casa da musica ou a recentemente construída sede da vodafone exibem um bloco granítico alto, com algumas janelas de facto, mas com um aspecto que desafia a lógica. Os cálculos podem estar muito perfeitos, mas a verdade é que já ouvi muita gente que é de opinião que, são construções pavorosas. Alem de que chocam com arquitecturas tradicionais, no Porto principalmente Vitorianas e Neo-Clássicas. Foi grande o meu choque quando li que o Senhor Siza Vieira era a favor da demolição (que grande choque mesmo).  A diplomacia não me permite falar muito mais, pois corria o risco de ser rotulado de difamador. Que se queiram fazer edifícios de aspecto moderno, tudo muito bem. Mas por amor de Deus, respeite-se o património Histórico, porque mesmo um local não sendo assinalado como tal, deve-se ponderar realmente o que fazer com ele. A verdade é que recuperando as fábricas (pelos vistos não apareceu nenhuma entidade interessada, o que seria fácil de resolver com alguns incentivos da câmara) não só Matosinhos teria um aspecto mais aberto (o que não terá com o previsível monstro de vários andares que será projectado) como aos olhos dos portugueses (e da comunidade estrangeira) seria um memorial a épocas passadas (muito do propósito arqueológico é esse mesmo, o de recordar e não abafar). Mas enfim, vozes de burro não chegam ao céu. Como já disse, isto é uma opinião pessoal (o que nestes dias é sempre arriscado), gostaria de ter noção de quantas pessoas pensam de maneira semelhante. Será de mim? Talvez...

Gostaria de ter posto imagens, mas, tão esquecidas as fábricas devem estar que nem mesmo na internet consegui achar fotografias.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009




Faraó Tutankhamun ... neste video Zahi Hawass expõe o seu estudo, afirmando que o jovem faraó não foi assassinado, justificando o buraco da cabeça (que se acreditava ser a prova desse mesmo assassinato) como sendo resultado, não dos trabalhos de Howard Carter, mas sim do processo de mumificação na dinastia XVIII. Uma fractura na perna esquerda do faraó induz a outras teorias relativas à sua morte prematura...
                                                                                                                                       Rita Pedro

PENSAMENTOS

"O regresso ao irracional é, antes de mais nada, uma tentativa de preencher o vazio criado pela decadência da religião"
George Stneiner

"O início não tem absolutamente nada a que agarrar-se. É como se saísse do nada. Por um momento, o momento do início, tudo se passa como se os iniciados tivessem abolido a própria sequência da temporalidade e houvessem sido expulsos da continuidade da ordem temporal"
Paulo Connerton

"Pré-história é um termo vago que designa em bloco tudo o que se passou até ao momento em que a escrita projecta uma vaga claridade sobre o pensamento humano"
André Leroi-Gourhan

Novas pirâmides Egípcias



 Esta pirâmide, encontrada pela primeira vez no século XIX, foi novamente descoberta em 2008, no complexo de Saqqara. Após mais de um ano de investigações, Zahi Hawass, Secretario Geral do SCA finalmente consegue afirmar que a pirâmide pertence à V dinastia - Império Antigo.
Esperamos que, este pequeno vídeo desperte curiosidade em todos os interessados no assunto... nem todos os segredos do Antigo Egipto foram desvendados!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PARABÉNS, CÔA!

Começa amanhã o programa que assinala o 11.º aniversário do Vale do Côa como património mundial (o programa está aí e pode ser aumentado com um clic). É certo que ao Côa o que é do Côa mas a verdade é que para muitos de nós será impossível estar presente nestes eventos. Embora o ex-ministro Mário Lino tenha dito, numa das suas últimas aparições, que tudo o que se gastou em auto-estradas foi também para permitir o acesso a sítios como o vale do Côa, todos sabemos como é difícil lá chegar. Esta é a história do Maomé e da montanha. E quando a piscina municipal de Foz Côz tem mais utentes que o PAVC visitantes...não será que chegou a hora de nos questionarmos sobre a eficácia de um programa e também de um investimento. Talvez esteja a chegar a hora de os "proprietários" da arte rupestre do Côa descentralizarem para os...centro iniciativas deste género. Até porque aniversários há todos os anos e nem todos os anos quem se interessa por estes assuntos tem possibilidades de ir até aos confins da Beira Alta, a não ser que acredite em tudo o que dizem os políticos. É importante não fazer do Côa um gueto ou um laboratório para poucos quando tantos são os querem o melhor para as gravuras que não sabiam nadar. É que qualquer dia a EDP resolve tirar da gaveta um projecto que está longe de estar arquivado...

domingo, 29 de novembro de 2009

RE-CONSTRUÇÕES


O que tem "How Green Was My Valley", filme de John Ford, a ver com registo arqueológico? Pois bem, para Gonçalo Leite Velho tem tudo. Foi por aí que começou a sua palestra, ontem, no centro Unesco do Porto, a propósito de Castelo Velho de Freixo de Numão. Foi uma abordagem interessante e que cativou a plateia, proporcionando um debate também prolixo, sobretudo quando o professor Vítor Oliveira Jorge engrenou a 5.ª e foi tão longe que até falou da consciência e de problemas da dita cuja. Deu para perceber o entusiasmo de Gonçalo Velho e a forma como preparou a sua tese de doutoramento, tópico deste encontro. Com Hollywood a sobrevoar Castelo Velho e a paisagem do Douro profundo. Quanto à re-construção e à reconstrução arqueológica, retive uma ideia: mais importante que montar o puzzle é perceber como ele foi montado. Ou melhor, como terá sido montado. Porque À VERDADE nunca ninguém conseguirá chegar. E se o fizer será apenas por puro fanatismo ou então por grave deformação profissional. Também acontece.

sábado, 28 de novembro de 2009

ALMENDRES RADICAL

A falta de meios nunca é desculpa para um fotojornalista a sério. Por isso, o meu amigo Pedro Correia surpreendeu-me quando encontrou o elo perdido e procurou uma posição radical para registar em imagem o cromeleque de Almendres ou os cromeleques.

WC PICTURE (2)


Faculdade de Letras, 2009.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

UMA AULA DIFERENTE




Na aula de hoje de Espaços Sagrados, Helena Vilaça, docente de sociologia na FLUP, mostrou-me um novo instrumento da arqueologia. A autora de "Da Torre de Babel às Terras Prometidas" dissertou sobre espaços seculares e espaços religiosos. Ficámos a saber que as peregrinações são "uma forma de ritual" e que as férias podem ser entendidas como "peregrinações de lazer", podendo o turismo ser visto como "um ritual de passagem". Vilaça, que se confessou (no sentido estrito) benfiquista, falou também do desporto como um espaço onde "o sagrado religioso e o sagrado desportivo se sobrepõem", encontrando-se os grandes espectáculo "na fronteira do mágico e do religioso". Não tendo dúvidas em considerar que um estádio pode ser visto como "um santuário" ou, no caso específico, "uma catedral". Falou-se também na "beatificação" de Miklos Feher e na capela azul do Estádio do Dragão que foi benzida por um padre benfiquista que logo a seguir teve problemas... Muito interessante também tudo o que desenvolveu sobre a "New Age", ou seja, a cultura/postura daqueles que nasceram depois da II Guerra Mundial. Ou seja, só perdeu quem não esteve presente este momento quase único, onde a universidade se "departamentizou" e os saberes se fundiram.

OS VASCONCELOS


Na passada semana na FLUP realizaram-se duas das três sessões de um colóquio dedicado a Carolina Michaelis e a Joaquim Vasconcelos. Carolina Michaelis é um nome bem mais conhecido mas foi uma oportunidade para descobrir o seu parceiro de muitos anos. Joaquim Vasconcelos foi um daqueles "homens únicos", classificado por um dos palestrantes como "heterodoxo e desalinhado". Costumava dizer: "Não precisamos de ser sacerdotes para podermos falar com Deus". Com Rocha Peixoto e Ricardo Severo, dinamizou a vida cultural do Porto e criou o Museu Comercial e Industrial deste cidade, que funcionou no Palácio de Cristal e infelizmente foi desmantelado. Hoje o seu espólio seria precioso para a área da chamada "arqueologia industrial". O casal Vasconcelos conseguiu reunir uma biblioteca com 6000 volumes que, juntamente com inúmeras cartas e outros documentos, se encontra na Universidade de Coimbra. Autora do histórico "Cancioneiro da Ajuda", Carolina foi a primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa - Coimbra - e correspondia-se bastante com José Leite Vasconcelos. Fiquei mesmo com a sensação que o trocavam era um pouco mais que correspondência... Sendo um tema que interessava sobretudo a quem estuda história da arte e filologia, surpreendeu-me o facto de não ter visto ninguém da arqueologia na sala, embora não tenha podido acompanhar na íntegra as sessões. Também vi poucos estudantes de outras áreas. Presumo que o povo anda muito preocupado com as eleições para a associação de estudantes...


Retive ainda uma citação de Fernando Pessoa referida por um dos palestrantes:
"Resta-nos fazer a história do que poderia ter sido".

Ora nem mais.

domingo, 22 de novembro de 2009

FÁBRICA DE VIDRO DO COVO



Imagens da antiga fábrica de vidro do Covo, tema da workshop que se realizou no passado fim de semana em Oliveira de Azeméis. A fábrica começou a funcionar no século XVI e foi abandonada nos anos 20 do século XX. Pondera-se agora uma intervenção arqueológica, depois de realizada a prospecção geofísica (com resultados promissores também em alguns sondagens feitas). Não foi tempo perdido. Pelo contrário. Sobretudo quando tivemos oportunidade de apreciar a paixão que um operário sente pelo trabalho do vidro, nos momentos finais.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NA CAMINHA É QUE É BOM


A Câmara Municipal de Caminha decidiu interromper as obras para a construção dos Parques de Estacionamento Sidónio Pais, parte integrante do programa “Renovar Caminha” devido ao facto de, no decorrer da obra, terem sido detectados importantes vestígios arqueológicos de uma parte da Muralha Seiscentista da Vila de Caminha.
Os arqueólogos do Município preparam agora uma intervenção que permite colocar a descoberto toda a estrutura, procedendo ao seu registo, de forma a efectuar a correcta avaliação patrimonial do achado em termos históricos e arqueológicos. Só depois destes trabalhos é que a Câmara vai avaliar a situação e saber se pode ou não continuar com o projecto inicialmente previsto.
Neste momento está a proceder-se à construção de muros de contenção na parte da Estrada e do antigo Edifício da Delegação Escolar.
Recorde-se que as obras para a construção dos Parques de Estacionamento Sidónio Pais, parte integrante do “Renovar Caminha” vão custar 446.853,89 euros, e vão criar 170 novos lugares de estacionamento
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Comunicado da CMC

E AGORA POR GEORADAR


video


Com Abílio Cavalheiro conduzindo as operações no picadeiro interior.

PROSPECÇÃO GEOMAGNÉTICA

video

Hoje, em Oliveira de Azeméis, uma interessante "delegação" de alunos de arqueologia da FLUP teve o privilégio de assistir à apresentação dos trabalhos de prospecção geofísica realizados na antiga fábrica de vidro do Covo com o objectivo - que parece conseguido, mas ainda não foi confirmado...- de encontrar os dois fornos da importante unidade de fabrico de vidro desactivada no início do século XX. Fernando Rocha Almeida - que podem ver no vídeo a explicar como, no terreno, se faz prospecção geomagnética - e Abílio Cavalheiro nem sempre se entenderam mas as lições que deram, no auditório e no campo, foram grandes momentos de aprendizagem, embora, claro, por vezes tivessem usado aqueles símbolos a que alguns chamam matemática e que nos fazem sempre supor que a nossa ignorância é esmagadora. E amanhã há mais workshop...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

UMA ÚNICA PALAVRA



Profs. Byron Mcane e Israel Knohl © Hoggard Films/Catherine Yrisarri

Um achado invulgar ou simples fraude?

Ha coisas que, mesmo não estando relacionadas com Portugal, possuem algum interesse. É o caso de um novo documentário produzido pela National Geographic, que infelizmente ainda não parece estar inserido na programação do canal português. De momento o assunto está disponível no site da National Geographic http://channel.nationalgeographic.com/series/expedition-week/4290/Overview#tab-Overview. Trata-se de uma situação curiosa. Foi encontrada há cerca de 10 anos uma estela num mercado de antiguidades. Possui 87 linhas de texto em hebreu. Encontra-se agora guardada em Israel. Foi datada como sendo do séc. I a.C. e foi designada Pedra de Jeselshon. A sua leitura está a gerar uma grande controvérsia, especialmente no que respeita à leitura de uma única palavra, bastante apagada (há quem dia ser impossível ler). Até agora nunca foi seriamente estudada. Porém, uma inspeção recente gerou um certo alvoroço. Primeiro porque se trata de uma combinação invulgar. Em vez do vulgar pergaminho ou epígrafe, trata-se de uma estela em que a escrita foi feita com tinta e não por gravação. A leitura torna-se assim dificil, sendo que muita da escrita se encontra apagada. Em segundo pelo seu conteúdo. Muito do texto é sobre a visão do apocalipse transmitida pelo anjo Gabriel. Por volta da linha 80 o Dr. Israel Knohl leu algo bastante interessante. Se traduzido correctamente, o texto menciona um homem, Simão de Peraea, homem que se intitulou rei e redentor de Israel. Liderou revoltas contra Herodes e os romanos. Por volta de 4 a.C. Simão incendiou um dos palácios de Herodes, sendo capturado pouco depois e executado. O seu corpo foi deixado por enterrar, sendo o maior sinal de humilhação no meio judaico desta altura. É após esta leitura que a situação se complica. Segundo a leitura do Dr. Knohl, a pedra (que se encontra fragmentada) anuncia a ressurreição, três dias depois, do "messias" Simão. A História torna-se agora familiar. Anos antes do nascimento de Jesus, uma história semelhante à sua circulava, exactamente na mesma região. As opiniões sobre a veracidade da pedra obviamente divergem. Além disso, a leitura é ambígua. Porém, se comprovado, segundo Israel Knohl poderá fornecer o elo que falta entre judaísmo e cristianismo, mostrando que a situação pela que Jesus passou não era única. Resta agora comprovar a veracidade do achado, a confirmação da existencia de Simão (provavelmente pela escavação do palácio incendeado) e a confirmação da leitura. Esta história vem no seguimento quase oportuno de outras teorias recentemente apresentadas como a do Testamento secreto de Judas (também apresentado ao grande publico pela National Geographic). De qualquer forma acaba por se tornar num bom programa de fim de semana.

Este texto foi escrito com base no artigo disposto pelo site da National Geographic.

SOCIOLOGICUS



http://suciologicus.blogspot.com/

Blogue dos nossos colegas de sociologia. Muito interessante e um importante auxiliar de estudo. Até sebentas ali estão editadas...

O CÉU PODE ESPERAR

Foto Pedro Correia
No dia em que os homens arrastaram e ergueram estes monólitos, a cidade que neles hoje espreita (Évora) era apenas planície. Da Serra de Monfurado, para nascente, avistam-se as terras que confinam com o Guadiana. Évora-Montemor e Reguengos-Monsaraz são, também com Pavia, as zonas portuguesas de maior concentração menírica. Dos cerca de 150 monólitos que formavam o cromeleque de Almendres - o maior da Península Ibérica - restam 95 mas a monumentalidade continua lá. É algo que nos esmaga e atira para uma dimensão sem tempo, apenas perturbada pela chegada de um ou outro visitante. Nunca lá tinha estado e quem foi comigo fotografar "os calhaus" também não. Aliás, o Pedro nem tinha ouvido falar do cromeleque e até já tinha estado ali bem perto a passar férias. Foi surpreendido por aquilo a que chamou, de imediato, "uma igreja a céu aberto". Seja. Pouco importa. Igreja, calendário astronómico, centro ritual... Li algures que os homens do Neolítico erguiam as pedras com o objectivo de se aproximarem do arco celestial e que é por isso mesmo que surgem mais gravuras no terço distal dos menires. Teorias não faltam. Todos sabemos: a interpretação não raras vezes se confunde com especulação e dá sempre jeito para "encher papel". Deixemo-lo de lado. Fiquemo-nos pela contemplação do cenário. Da terra, da pedra e do imenso universo que coroa a pintura digital. E com o silêncio do vento que sopra no topo do montado...
O céu pode sempre esperar.

domingo, 15 de novembro de 2009

CASTANHEIRO DO VENTO, 2009



Um cenário lunar. Poeira. A paisagem a rodar lentamente enquanto o dia aquece.
Xisto. Mais Xisto. Ainda xisto.
Cada quadrícula é um mundo, cada balde de terra um grão desse mundo que se separa.
Castanheiro do Vento, campanha de 2009. Os últimos dias.
Susana Oliveira Jorge, de chapéu de palha largo, canta e escava.
Vítor Oliveira Jorge tenta antecipar-se ao tempo que passa.
Agora, quando a chuva nos envolve, chegam as saudades de um Verão passado no passado.

TESE DE MESTRADO

Para todos os interessados, informamos que no dia 14 do próximo mês, as 14h, na sala polivalente do 4º piso da FLUP será defendia a tese de mestrado de Jorge Davide Sampaio, que tem como tema as lareiras experimentais do Paleolítico Superior cujo modelo são as lareiras do Côa.
Este tema será sem dúvida do maior interesse para todos os futuros arqueólogos e demais pessoas interessadas no assunto. Por isso, reservem esse dia para enriquecer um pouco mais o conhecimento....

sábado, 14 de novembro de 2009

Santa Cruz


                                                                     Réplica do Santa Cruz, Lisboa (foto André S.)


Ao falar de Santa Cruz não estamos, neste caso, a falar de uma terra, nem mesmo de uma caravela. Este Santa Cruz é bem mais recente e possui um motor Rolls-Royce e literalmente "carradas" de rebites em aço. Refiro-me ao famoso Hidro-Avião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Trata-se do modelo Fairey III D MK. 2 do qual o unico exemplar sobrevivente é exctamente o "Santa Cruz". Visto de perto, para um avião com cerca de 70 anos possui um aspecto imponente.

 A Aeronave

O Modelo Fairey foi desenvolvido e produzido pela Fairey Aviation, uma companhia Britânica, o primeiro exemplar, o Fairey IIIA e voou pela primeira vez em 1918. Foi encomendado pela Marinha Portuguesa para o lançamento de torpedos a partir do ar. Entre os exemplares encomendados chegou o "Lusitânia", o primeiro Fairey encomendado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Este possuía algumas alterações como a possibilidade de transportar os tripulantes lado a lado, uma maior envergadura e maior alcance. 
                                                


 Santa Cruz, Museu da Marinha

 Assim o modelo recebe o nome de F-400 Transatlantic. Chega a Portugal em Janeiro de 1922, mesmo a tempo de em Março levantar voo com os dois "pioneiros". Infelizmente o primeiro Modelo sofreria de complicações ao chegar perto da Costa Brasileira, despenhando-se nas de S. Pedro. Foi encomendado um outro F-400, mas tambem este acabou inutilizado. Eis que finalmente chega o "Santa Cruz", um F-402, também um modelo IIID. A Marinha encomendaria outros exemplares até que serem "retirados de serviço" em 1930.
  

Lusitânia a sair da barra do Tejo


O Fairey provou ao longo dos anos que serviu, ser um aparelho fiável permanecendo em uso em vários países, incluindo Portugal e Austrália. Tornou-se o aparelho mais famoso saído da Fairey Aviation, com um pequeno empurrão dos nossos aventureiros, que executaram a primeira travessia do Atlântico Sul, em 1922. Lindberg so voaria pelo Atlantico Norte em 1927, num avião com o cocpit fechado (enquanto o Fairey pouco protegia os tripulantes das intemperies). Para quem não poder visitar o "verdadeiro" pode sempre ver a réplica em tamanho real e em aço junto da torre de Belem .