
O professor Carlos Alberto Ferreira de Almeida é uma lenda da FLUP. Mas não só. Conheci-o noutra faculdade: no então Centro de Formação de Jornalistas do Porto, que deu origem à Escola Superior de Jornalismo que hoje integra a FLUP. Deu-me aulas de história de arte e de antropologia cultural. Não eram propriamente as matérias mais palpitantes para os então candidatos a jornalistas mas rapidamente o professor conseguiu cativar-nos. Fazia também o favor de ser nosso amigo e foram muitos os momentos que passámos a falar de futebol. Um dia foi de propósito ao centro para nos pedir que lhe preenchessemos o boletim do totobola, na convicção de que eu em especial, que já trabalhava num jornal desportivo, podia ajudá-lo a fazer um 13. A última vez que o encontrei, pouco antes do seu trágico desaparecimento, em 1996, foi a bordo de um Alfa ou Intercidades, de Lisboa para o Porto. Viemos todo o caminho no bar do comboio a falar de castelos. Lembro-me que lhe disse que bem podia ter um programa na televisão para divulgar, com largo espectro, todos os seus conhecimentos, com o seu estilo peculiar, ou seja, tirando mouras encantadas de um bolso e ogivas...artísticas do outro ao mesmo tempo que falava de golos e foras-de-jogo. Acho que me respondeu com um silêncio que podia ser traduzido por um algo como "estás louco, pá, mas quem é que se interessa por isso?". Lembrei-me do professor porque reparei que muitos jovens colegas não sabem quem foi Carlos Alberto Ferreira de Almeida. Melhor, quem é.
Deixo aqui um link, prenhe de emotividade, que nos diz um pouco do homem, do professor, do arqueólogo e do mestre.
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2152.pdf